Burnout ou gestão ruim? A diferença importa

O burnout se tornou um tema recorrente nas empresas. E com razão: a Organização Mundial da Saúde o classificou oficialmente como um fenômeno ocupacional. Mas existe um problema na forma como muitas empresas lidam com o tema: tratam burnout como um problema individual do colaborador, quando na maioria dos casos é consequência de falhas na gestão.

A diferença é fundamental. Se o burnout é visto como problema individual, a solução é mandar o colaborador para terapia, oferecer dia de folga ou programa de mindfulness. Se é reconhecido como problema de gestão, a solução passa por mudar as condições que causam o esgotamento.

Sinais de que o problema é a gestão

Se vários membros da mesma equipe apresentam sinais de esgotamento, o problema provavelmente não é individual. Carga de trabalho mal distribuída, prazos irrealistas definidos sem consulta ao time, falta de autonomia, microgerenciamento e ausência de reconhecimento são fatores de gestão que levam ao burnout.

Um gestor que não sabe quanto trabalho sua equipe tem, que não acompanha horas extras, que não percebe quando um colaborador está sobrecarregado, não está gerenciando. Está delegando e cobrando resultados sem responsabilidade pelo processo.

O papel dos dados na identificação do problema

Dados de RH podem revelar padrões antes que eles se tornem crises. Aumento progressivo de horas extras em uma equipe específica, crescimento do absenteísmo, queda nos indicadores de engajamento, aumento de pedidos de demissão concentrados em um departamento. Quando cruzados, esses dados contam uma história clara sobre onde estão os problemas de gestão.

Plataformas como o SAP SuccessFactors permitem monitorar esses indicadores de forma contínua e alertar quando padrões preocupantes emergem. People Analytics não substitui a conversa entre gestor e colaborador, mas fornece evidências que tornam essa conversa mais produtiva.

Prevenir é mais barato que remediar

O custo de um burnout para a empresa vai além do afastamento do colaborador. Inclui perda de produtividade, impacto na equipe, custos de substituição e potencial dano à reputação como empregador. Investir em gestão de qualidade, com ferramentas que dão visibilidade sobre a saúde das equipes, é significativamente mais barato do que lidar com as consequências.

Antes de diagnosticar burnout, avalie se o diagnóstico correto não é má gestão. A solução para os dois problemas é diferente, e tratar o errado só agrava a situação.